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sábado, 2 de agosto de 2008

Amor Maior

Como ele a chamava antes não importa. Não agora. Ela tinha um nome, é claro, um nome gostoso de dizer, dispensava os apelidos, mesmo os mais sonoros. Mas ele nem precisava pronunciá-lo, como ela não precisava pronunciar o dele. Sentiam o chamado um do outro, fosse qual fosse a distância física entre eles. Distância espiritual não havia, nunca. Bonito mesmo era o seu nome tatuado em toda a pele dela e na correnteza do seu sangue. Cada letra era um relevo doce em sua alma e no seu pensamento. Assim era para ele também.o nome dela por fora e por dentro dos seus poros.
Quando ela o via do outro lado da rua, se arrepiava toda. E sentia o apelo do seu arrepio. Ele via faíscas em seu corpo ,que queimava em suas entranhas.
Um dia fizeram uma viagem - cerca de três horas de carro num verão ardente. Quando chegaram ao hotel, ela se despiu para o ansiado banho. Ele a abraçou antes do chuveiro e o cheiro dele estava lá, puro, como uma fruta apanhada no pé. Farejou todo o seu corpo e ele o dela para se certificarem.
Ficou impregnada, enfeitiçada.
O feitiço ficou nela até hoje, irresistível .Mesmo longe,separados por um oceano,ela sente o seu cheiro.
A magia e ele andam de mãos dadas. Um ato mágico do qual ela jamais falou com ninguém para não quebrar o encanto,.
Essa magia que os uniu e os levou à loucura benigna foi a mesma que os protegeu durante anos de intermitentes insanidades e perigos letais.
Mas há um mistério que os separou para sempre e que os manterá longe por toda vida.
Talvez um dia ela conte!