Precisava tanto de ar,de baixas vozes,de saborosas mãos,inquietas,amaciando-me,mas nada!Sozinha no quarto,sussurro:Por favor!Por favor! Quero atravessar o tempo,romper as janelas,ter espaço para o meu espaço.Não é tanto!
Nesta vida de trilhões de carros,estúpidas buzinas,não é tanto!Ferida,encolhida,escrevo.Que saia dessa mão o que precisa sair:VIDA!
É madrugada!O dia se faz ordinariamente lá fora:nascem os primeiros ruídos:venham logo todas as dores,esses seres de barro que moram em mim,desesperadamente fixos,donos da terra onde plantei minha alma!

