O poema não vem.Há febre nos dedos,vertigem na mão,coração trotando,fuzilando e o poema não vem.Só,carente de versos,entristeço-me no barro da perda,disponho de mim,sem ter-me,ser-me ,porque não sou quando o poema não vem.
Na sala redonda.sem frutos,vejo intensamente rostos iguais:monotonia de lábios,tolos olhos que piscam desnobremente como se tudo já tivessem visto.
Fecho os olhos.surge a mancha branca da vida.Igual à de ontem,modelos das seguintes,traçadas por uma que gira no espaço de um suspiro.Pronto!O poema chegou!

